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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Estou sem tempo


Conta e Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? 

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. 

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
 
Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, 
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo... 


Frei António das Chagas,
em Antologia Poética

sábado, 9 de maio de 2020

Estou sem tempo - Um soneto para pensar

Conta e Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

Frei António das Chagas,
em Antologia Poética

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Ter tempo



O bem mais precioso é o tempo. E tenhamos a certeza: aquilo de que os nossos semelhantes mais precisam é que lhes demos tempo. Quer se trate dos desconhecidos com quem apenas nos cruzámos, ou daqueles que partilham a vida connosco.
E o que é o tempo? É disponibilidade para uma escuta em profundidade. É disposição para um encontro verdadeiro, que não seja um mero esbarrar-se no outro. É espaço para ver, para sentir, para ter compaixão, para fazer um pedaço de caminho em conjunto.
Sensibilizou-me muito uma história que uma amiga, professora de liceu, me contou. Deu-se conta, um dia, de que uma das suas estudantes tinha alguma coisa no nariz que brilhava, e aproximou-se: era um “piercing”.
Falaram disso: queria compreender as motivações da adolescente; escolheu a ocasião e falou também da nossa cultura e daquela grande descoberta que é o nosso corpo.
A jovem dialogou com muita naturalidade e interesse. No fim, contudo, confiou à professora: «Tenho este “piercing” há quase seis meses, e os meus pais ainda não o notaram».
Quando oferecemos tempo, à nossa mesa vem sentar-se o mundo inteiro. A realidade torna-se menos opaca e incompreensível. Conseguimos interpretá-la melhor, e até a colhê-la numa transparência que antes nos era desconhecida.
A realidade não é uma coisa genérica, nem tem lugar num olhar rápido. A vida está cheia de detalhes que não se revelam a quem não seja sensível ao tempo.

In Avvenire 
Trad.: Rui Jorge Martins 

domingo, 8 de outubro de 2017

Neste mundo, tudo tem a sua hora




Do Eclesiastes,
Edição literária da Bíblia

sábado, 23 de setembro de 2017

Frei António das Chagas — Conta e Tempo



Conta e Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


Frei António das Chagas,
in Antologia Poética