quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Sinais dos Tempos - Felizes os "covidados"

Uma reflexão de António Jorge Ferreira

‘Covid-19: 
– Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ estão em ocaso? 
– Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ se vislumbram na (estão em) aurora?’ 




Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ estão em ocaso? 

Não creio que haja algo em ocaso e algo a nascer, na Igreja e no mundo, por causa da pandemia. Ou melhor, temos de ir por partes e hipóteses. Se o vírus estiver muito tempo entre nós, aí uma década, algo vai mudar, sim. Se desaparecer em 2020/21 por causa da vacina ou por se ter alcançado a imunidade de grupo, tudo vai continuar em 2021 ou pelo menos em 2022 como era em 2019. E o vírus será recordado como aquele incómodo de 2020. A curto prazo, mudou tudo. A longo prazo, nada. 
De resto, no mundo, os dois grandes problemas continuarão por resolver, com ou sem vírus: a fome (e nisto incluo o desenvolvimento para todos) e a crise ecológica (clima doente, agressões à natureza, etc., ou seja, casa para todos) – coisas, que, como afirma o Papa na “Laudato si”, estão ligadas. A encíclica, como sempre defendeu, é social e ecológica. 
Não há nada em causa, então, na Igreja, por causa do covid? Há, sim. Há comportamentos que têm de fazer pensar os responsáveis da Igreja (em que me incluo, porque todos os batizados são responsáveis da Igreja). Não sei se tais comportamentos vão continuar no pós-covid, mas no momento fazem-me pensar. Refiro-me à participação nas missas. Por onde tenho andado tenho visto que os lugares continuam por ocupar. São menos, mas sobram sempre. Parece que as pessoas aproveitaram o covid para fazer algo que estava latente: deixar de ir à missa. Agora que podem voltar, não voltam. 
É preciso notar que o vírus fez algo que nunca tinha imaginado ser possível na Igreja. Julgo que, pela primeira vez na história, os bispos pediram que não se celebrasse a Eucaristia com assembleia nas igrejas. A ciência assim o exigiu. Noutros tempos, apregoar-se-ia um Deus que é maior que o vírus. Far-se-iam peregrinações e promessas para o vírus desaparecer. No tempo da secularização, sabemos que o vírus é uma questão de ciência, não da religião. Poderia ter sido diferente? Visto do futuro, acho que poderia. Mas tudo era novo. E foi fácil cumprir o não ir à missa. Mas agora que as pessoas já podem ir à igreja… Vão? O que acontece é que já não somos como os cristãos do século IV no tempo das perseguições. Podemos viver sem o domingo. Mas cristãos que vivem sem o domingo são realmente cristãos? E isto faz pensar na questão seguinte. Talvez o covid seja um agente do Espírito Santo para mostrar quem é o “resto de Sião”, para dar cabo dos resquícios da cristandade de que alguns têm tantas saudades, para fazer brotar um cristianismo de minorias, mas mais fermentador. 

– Que ‘mundo’ e que ‘Igreja’ se vislumbram na (estão em) aurora?’ 

É uma ilusão pensar que a não permissão de ir à missa levou os cristãos, na generalidade, a rezarem em casa, a participarem na missa à distância, a lerem a Bíblia, a terem catequese no youtube. Mas esta convicção (será possível ter estatísticas?), a do fim das ilusões, poderia ser o motor para a mudança, em vez da preocupação de ter toda a pastoral que tínhamos antes do covid, mas agora à distância. Por outros palavras, há coisas que é preciso fazer independentemente do covid. O covid só foi o catalisador que acelerou a reação. Veio mostrar a pertinência de tais mudanças. 
A Igreja (só falo dela) que gostaria de ver em “aurora”, sendo a mesma desde que há Igreja, poderia ser assim: 
Igreja que é consequência do encontro com Jesus. Sem medo da liberdade. Ora o encontro pessoal tem de ser feito por opção própria e não por pais, padrinhos ou tutores, que podem ajudar, mas nunca tomar a decisão pessoal, exclusiva de cada um, ainda que em comunidade e com consequências comunitárias. O que temos na Igreja é que uma criança é batizada por vontade dos pais, vai à catequese por vontade dos pais, faz o Crisma por vontade dos pais (ainda que não supostamente). A decisão fundamental (o batismo) não é livre nem consciente. Até parece que se nasce cristão. Isto dá que temos muitos cristãos nominais, mas menos de convicção. E quando um jovem toma a primeira decisão pessoal em termos de fé, geralmente é esta: não ir mais à Igreja. 

1. Igreja sem medo da verdade. É verdade que há sete sacramentos para homens e só seis para mulheres? Pode-se ser católico e defender o aborto? A eutanásia? Católicos que não acreditam na ressurreição, mas aceitam a reencarnação? Pessoas que se casam pela Igreja sem acreditarem no casamento católico? Cristãos que não rezam? É preciso um banho de verdade e de razões sólidas, mas só o podem receber pessoas livres (ponto 1). 

2. Igreja livre, sem depender do Estado para a sua ação social (ou seja, com ação social à medida da generosidade dos cristãos), com pastores centrados na missão de acompanhar as ovelhas e que sejam mesmo portas (ou fontes ou pontes) de acesso à espiritualidade cristã libertadora. 
Resolvidos estes pontos, venha o covid que vier, a família continuará a ser a igreja doméstica que está chamada a ser. O cristão confinado não será muito diferente do não confinado porque a sua experiência comum é simples: o cristianismo começa em casa. Mas algo disto vai acontecer? Não me parece. 

António Jorge Ferreira, Diretor-adjunto do Correio do Vouga

NOTA: Transcrito, com a devida vénia, de Comissão Diocesana da Cultura 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Vai de férias?

 Vaticano tem sugestão para o seu destino 
e pede aos bispos para apoiarem turismo

Lourizela - Préstimo - Águeda

«Pequenas aldeias, estradas e caminhos pouco conhecidos e menos frequentados; lugares mais escondidos a descobrir ou a redescobrir precisamente porque mais encantadores e incontaminados»; deixar-se surpreender; desacelerar; aprender novos estilos de vida; privilegiar a periferia.
Este é o mapa para as férias que o Vaticano propõe, respeitando um «turismo sustentável e responsável» concretizado segundo «princípios de justiça social e económica, e no pleno respeito do ambiente e das culturas», favorecendo «a interação positiva entre a indústria turística, a comunidade local e os viajantes».

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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Papa desafia católicos a mudar o mundo

 Fé, esperança e amor 
«são muito mais que sentimentos»


«Na tradição cristã, fé, esperança e caridade são muito mais que sentimentos e atitudes», frisou hoje o papa, que, no regresso às audiências gerais, depois da pausa de julho, anunciou que nas próximas quartas-feiras pretende falar sobre «as questões prementes que a pandemia pôs em relevo, sobretudo as doenças sociais».
«Exploraremos como a nossa tradição social católica pode ajudar a família humana a curar este mundo que sofre de graves doenças. É meu desejo refletir e trabalhar, todos juntos, como seguidores de Jesus que cura, para construir um mundo melhor, cheio de esperança para as gerações futuras», declarou.
«A pandemia continuar a causar feridas profundas, desmascarando as nossas vulnerabilidades. Muitos são os defuntos, muitíssimos os doentes, em todos os continentes. Muitas pessoas e muitas famílias vivem um tempo de incerteza, por causa dos problemas socioeconómicos, que atingem especialmente os mais pobres», acentuou.»

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Patrono dos Párocos - Santo Cura d’Ars

Vigário-geral da Diocese 
lembra o patrono dos párocos 

Celebramos, hoje, a memória litúrgica de S. João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars (1786-1859) que, por iniciativa do papa Pio XI, foi chamado o patrono de todos os párocos.
Porque nele, todos nós, os padres, nos revisitamos, deixo este pensamento para o dia de hoje que tirei do livro: “O Santo Cura D’Ars, visceralmente sacerdote”: Aquando da sua entrada na paróquia de Ars (1818), ele estava convencido de que um sacerdote não pode transmitir a mensagem de Cristo se não a viver pessoalmente. Começou, portanto, por trabalhar na sua própria santificação. Seguir-se-ia o contágio pelo exemplo.
Lição de vida sempre atual, dita e repetida de várias maneiras, para todos e cada um.

Um abraço amigo

P. Manuel J. Rocha

Em tempo de pandemia, Deus não vai de férias

Mensagem do nosso prior, 
Pe. César Fernandes 



O tempo de verão aí está a convidar-nos a um novo ritmo na vida de cada um e de cada família: umas férias talvez mais familiares. Talvez um tempo em que nem todos, e refiro-me concretamente aos nossos emigrantes, têm possibilidade, devido às restrições de circulação entre países, de se juntarem aos seus familiares na sua terra natal para poderem desfrutar de um merecido repouso. Talvez um tempo para dar mais atenção aos que necessitam. Um tempo para pensar mais nos outros. Um tempo para a pandemia do amor como convida o Papa Francisco. Um tempo em que Deus não vai de férias. Um tempo em que Deus está mais próximo. 
Apesar da ameaça de contágio do coronavírus, se cumprirmos todas as regras de segurança, certamente que este tempo de férias será para todos nós, para os nossos emigrantes que regressam ao seu torrão natal e também para os que ficam nos países que os acolheram, um tempo sereno de descanso, de gozo da beleza da criação, do reforço dos laços familiares e dos laços com Deus, como refere o bondoso Papa Francisco. 
Como pároco da Gafanha da Nazaré, desejo a todos os nossos emigrantes, cá e lá, e a todos os paroquianos umas férias de retempero de forças e de sã convivência para podermos enfrentar os desafios que se nos vão deparar num próximo futuro. Felizes férias para todos.

Pe. César Fernandes

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Uma oração que podemos recitar



Por enquanto temos a sorte e o prazer de poder sair para respirar diferente, sempre tendo em conta as regras estabelecidas. Férias são isso mesmo: usufruir o ar puro, olhar os horizontes, sonhar com dias melhores, acreditar que, apesar de tudo, o bem, o bom e o belo permanecem à nossa volta. 
Como crentes e comprometidos com valores que herdámos dos nossos ancestrais, não podemos apenas olhar para nós próprios esquecendo tudo o mais. Somos elos de uma máquina a que chamamos comunidade e nela nem tudo rola harmoniosamente. Há membros carentes de tudo, mas fundamentalmente de afeto. E é para eles que podemos e devemos olhar com regularidade e com naturalidade. Os da nossa família e vizinhos. E depois, mais tranquilos, poderemos andar por aqui e por ali, ver o mar que está tão perto de nós e fixar as silhuetas das serras que estão mais ao largo e nos desafiam. Tudo isto é uma oração que podemos recitar vezes sem conta. 
Boas  férias.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tempo de férias




Trabalhar com as próprias mãos

Trabalhar com as próprias mãos
em tarefas caseiras, na costura,
no seu ofício, na bricolagem
e fechar o rádio e todo o zunzum interior
escutar o que fala sem palavras
enquanto as mãos se ocupam
e ocupam a superfície da alma.
Ou então, conduzir um automóvel
muito distendido, atento, delicado
uma vez que essa ocupação deixa livre
um pensamento sem pensamento
que amadurece algures

Maurice Bellet

Informações Paroquiais de 2 a 9 de agosto 2020

1 – Nos meses de agosto e setembro ficam suprimidas as vésperas das quintas-feiras e a exposição do Santíssimo Sacramento.

2 – Reunião de preparação para os Batismos, sexta-feira, às 21:00 Horas, na Igreja Matriz. 

3 – Confissões e ensaio da Profissão de Fé, para o grupo dos catequizandos da catequista Margarida Fernandes, quarta-feira, às 19:30, na Igreja Matriz.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Bispo de Aveiro procede a diversas nomeações


O Bispo de Aveiro, António Moiteiro, acaba de proceder a nomeações para os serviços paroquiais e outros, depois de ouvir algumas instâncias diocesanas e em diálogo com todos os nomeados. 
Na nota explicativa que acompanha a lista dos nomeados, o nosso bispo afirma que, este ano, «devido às dificuldades surgidas pela pandemia e pelas consequências que ainda continuam presentes, vamos continuar a viver o tema da vocação no matrimónio e, para isso, prestamos uma atenção redobrada à pastoral familiar. As nomeações agora realizadas e o completar das equipas no início do novo ano pastoral irão ajudar-nos a olhar para a família como «Igreja doméstica» e a aprofundar a sua vocação ao amo».

Ver nomeações aqui 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Edith Stein: Deus é quem vê o interior das pessoas



«Uma mulher como Edite, que desde sempre se preocupou pela “pessoa” em si e no seu contexto, não faz senão levar à prática umas convicções que, sem dúvida, lhe facilitaram o caminho para a fé e que este encontro com a fé enriqueceu. As suas cartas de “acompanhamento espiritual” são toda uma catequese de humanidade: “Quando estiveres com outras pessoas pensa nisto: que existe algo comum que é mais forte do que o que separa e procura estar ligado a isso… Deus é quem vê o interior das pessoas. Ele vê o mal, mas também o mais pequeno grãozinho de ouro, que a nós amiúde nos passa despercebido e que desde logo não falta em nenhuma parte. Crê neste grãozinho presente em toda a pessoa, e para isso pede que te seja concedido um olhar penetrante” (Ct 897).
Para Edite o ser humano, a pessoa humana, é o maior tesouro que possuímos. Por isso, há-de ser acolhido e respeitado na sua mais íntima dignidade. Este princípio presidirá todas as suas actividades, especialmente aquelas relacionadas directamente com o trato com as pessoas. Todas as suas conferências são um rosário de princípios que evidenciam os valores inalienáveis do ser humano.»

Nota: Excerto de um texto que merece ser lido e meditado.