Após dois anos de pandemia, eis que regressámos à realização do Cortejo dos Reis neste ano de 2023. Como refere o livro “Cortejo dos Reis – Um apontamento histórico”, este cortejo é uma manifestação de carácter popular e uma marca de referência que ajuda a preservar a identidade e a unidade desta comunidade. Diz o antigo prior que o Cortejo dos Reis é mais antigo que a própria freguesia, podendo até atirar-se a sua realização para meados do século XIX, segundo o testemunho de Dona Alexandrina Cordeiro, mulher de provecta idade ao ano de 1992. Durante estes dois anos de pandemia em que não pudemos realizar o Cortejo dos Reis, quantos desabafos, quanta tristeza, quanta ansiedade na expectativa de que se voltasse a realizar o cortejo tão rápido quanto possível. Eis que aí está novamente o nosso querido Cortejo dos Reis, uma verdadeira manifestação cultural, um misto de religioso e profano que traz à tona de água a alma cristalina deste povo e que, no dizer do Padre José Fidalgo, consagra o sentir de partilha; a alegria do cantar; o viver, em autos, o nascimento do Menino Deus; o Cortejo etnográfico pelas ruas, guiados pela estrela; o beijar do Menino na Igreja e ainda o despique sempre pitoresco,da venda dos presentes. O Cortejo dos Reis é bem mais do que uma tradição rotineira. Foi, é e deverá continuar a ser um acontecimento que envolve todo este povo, crente e não crente, em ambiente de festa, desde os grupos de catequese, os Conselhos Económico e Pastoral, a cáritas, os mais diversificados grupos paroquiais, os jovens, os escuteiros, a juventude de Schoenstatt, os cantores, os figurantes e todos os que se envolvem nesta atividade cultural que é fundamental para sermos uma comunidade mais feliz. Como refere ainda o antigo prior José Fidalgo, a cultura modela, deixando-se tornar expressão de vida; recria sem devastar o passado; extasia a vida, não dando lugar ao marasmo; faz crescer, mas sem solavancos; numa palavra, a cultura é a verdadeira alma de um Povo.Faço votos para que este Cortejo dos Reis desperte, com novo vigor, a alma desta comunidade humana e cristã da Gafanha da Nazaré.
Pe. César Fernandes
Diretor do Timoneiro
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