Há uma coisa – um ditado – que muito me elucidou: «Lux ex Oriente, ex Occidente luxus” – “A luz vem do Oriente, o luxo, o consumismo vem do Ocidente». Encontramos esta sabedoria oriental, que não é fruto apenas de conhecimentos, mas é sabedoria dos tempos, sabedoria da contemplação. À sociedade ocidental – demasiado apressada, sempre –, ajuda muito aprender um pouco de contemplação, ajuda parar, olhar as coisas também poeticamente. Sabes uma coisa? Pensando nisto – mas é uma opinião pessoal –, creio que falta ao Ocidente um pouco de poesia.
Há coisas poéticas muito belas, mas o Oriente vai mais longe. O Oriente é capaz de olhar as coisas com olhos que vão mais além. Não gostaria de usar a palavra «transcendente», porque algumas religiões orientais não aludem à transcendência: uma visão que ultrapassa o limite da imanência, certamente sim; mas sem dizer «transcendência», o além. Por isso, falo de «poesia», do que é gratuidade, de buscar a própria perfeição no jejum, nas penitências e também na leitura da sabedoria dos sábios orientais.
Creio que, a nós ocidentais, fará bem parar um pouco e dedicar tempo à sabedoria. A cultura das pressas [precisa] da cultura do «parar um pouco». Parar. Não sei se isto basta para esclarecer a diferença, e aquilo de que precisamos no Ocidente.
Na viagem ao Japão, no regresso a Roma, no dia 26 de novembro, respondendo aos jornalistas.
Texto publicado no jornal TIMONEIRO

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