com a alegria da Luz que ilumina os nossos caminhos
e a intensidade da fé que nos caracteriza
como fizeram os santos Magos"
Há dez anos que participo nos
Reis da nossa paróquia. Este cortejo de cariz profundamente popular sempre me
emocionou pela simplicidade e beleza dos seus autos, dos seus cânticos e pela
envolvência de toda a comunidade.
Os reis, vindos do oriente,
seguem uma estrela que será para eles a coluna luminosa que os guia até ao
Menino acabado de nascer que lhes mostra a ternura e simplicidade de Deus; O
aparecimento do anjo que anuncia aos pastores a Boa Nova do Messias prometido
que vem ao mundo; O encontro dos pastores, homens simples do pastoreio dos
rebanhos que se dirigem para o presépio adorar o Salvador e em que Antenor
descreve a cena idílica de José e Maria que estava para ser mãe; Os dois árabes
(Ibraim e ASAF) que matam a sede na fonte de Elias e se encontram com os
pastores que vão a caminho de Belém adorar o Menino; Os Magos, desapontados com o desaparecimento da estrela,
dirigem-se para Jerusalém onde se dá o célebre diálogo entre eles e Herodes,
este com intenções malévolas de pretender liquidar o novo Rei que acaba de
nascer; No final, os pastores dirigem-se à Igreja “abram-se as portas da
Igreja” para a entrega dos presentes a Nossa Senhora e para adorar o Menino
numa cena enternecedora dum presépio vivo.
Como nos diz o Papa Francisco,”
os Magos, seguindo uma luz, buscam a Luz. Andavam à procura de Deus. Tendo
visto o sinal da estrela, interpretam-no e puseram-se a caminho. Nesse caminho
encontram inúmeras dificuldades. Chegados a Jerusalém, vão ao palácio do rei porque
consideravam óbvio que o novo rei nasceria no palácio real. Lá, perdem de vista
a estrela e embatem no engano de Herodes. Aí, no palácio, vivem um momento de
escuridão e dirigem-se a Belém onde, segundo os profetas, nascerá o Messias.
Retomam a viagem e de novo veem a estrela sentindo imensa alegria. Chegados a
Belém, encontram o Menino com Maria, sua mãe. Prostram-se e adoram-No,
oferecendo-Lhe os seus preciosos e simbólicos dons. A graça do Espírito Santo
que os guiou ao longo do caminho, agora fá-los entrar no mistério: o presépio
mostrou-lhes o caminho do abaixamento de Deus, a Sua glória escondida na
manjedoura de Belém. Esta foi a sua conversão.
Nesta quadra natalícia, também nos é pedida a
conversão que nos levará a interrogar-nos, no meio dos enganos do mundo, onde
está a estrela e, na humildade da fé, levar-nos-á a encontrar a Luz. Acredito
que a nossa paróquia viveu esta tradição dos Reis com a alegria da Luz que
ilumina os nossos caminhos e a intensidade da fé que nos caracteriza como fizeram
os santos Magos.
P.e César Fernandes



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