segunda-feira, 28 de novembro de 2022

NOVEMBRO – MÊS DA MEMÓRIA E SAUDADE

Reflexão mensal do nosso prior

 Para o povo crente, este mês de novembro tem seu início com a Celebração de Todos os Santos, uns que pela sua vida de comprovada virtude, nos são apresentados como modelos de fé e exemplos a seguir. Outros que, embora não tendo a honra dos altares, cultivaram ao longo de toda a sua vida os valores da humildade e simplicidade, do amor e dedicação à família, do trabalho esforçado e do amor ao próximo. Também estes, porventura do nosso sangue, merecem ser recordados com amor e saudade, mais do que nas lápides dos cemitérios, no íntimo dos nossos corações. A proposta de vida do grande mestre Jesus Cristo para termos lugar na embarcação que nos conduzirá à eternidade feliz é o caminho das Bem-aventuraras, página revolucionária do Evangelho, porque aí, Jesus estabelece a inversão total dos critérios humanos sobre a felicidade. Os felizes passam a ser aqueles que o mundo tem por infelizes – os pobres, os famintos, os que choram, os que sabem perdoar, os que fomentam a paz, os perseguidos... Este caminho não é utopia irrealizável nem ideal espiritualista inalcançável. O mestre dá-se como exemplo. Ele foi pobre e sofredor, teve fome e sede de justiça, criou paz e reconciliação, foi perseguido e morreu para salvar a todos.


Depois de termos cantado a glória e felicidade dos santos, no calendário litúrgico, surge-nos a Comemoração de todos os Fiéis Defuntos, não como um dia de luto e tristeza, mas como um dia de íntima comunhão com aqueles que “não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente”. É um dia de esperança porque sabemos que estes nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. Evocar a memória dos que partiram é uma forma de “permanecer na sua comunhão”, lembrar “a grandeza dos seus vultos”, “reescutar os que mergulharam no absoluto silêncio”, lembrar os que se tornaram invisíveis, permanecendo vivos no património dos valores que não conhecem crepúsculo”. Eles são verdadeiros monumentos à vida eterna.
Este é o mês da memória e da saudade em relação aos “santos de ao pé da porta”(pais, mães, avós e demais familiares) que não entraram em êxtase nem fizeram milagres em vida, mas que estiveram bem alicerçados na sua/nossa época e encarnaram as bem-aventuranças, vivendo a grande tribulação deste mundo com alegria, humildade, mansidão, misericórdia e justiça.
O Papa Francisco diz-nos que “a morte vem para fazer verdade sobre a vida e remover quaisquer circunstâncias atenuantes para a misericórdia. Olhemos para cima porque estamos a caminho do alto, enquanto as coisas aqui de baixo não sobrem: as melhores carreiras, as maiores conquistas, os títulos e prémios mais prestigiados, as riquezas acumuladas e os ganhos terrenos, tudo desaparecerá num instante. Tudo...”.

Pe. César Fernandes
Pároco da Gafanha da Nazaré

Nota: Publicado no TIMONEIRO de Novembro


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