a Exortação Apostólica do Papa Francisco
Nas funções de atendimento pastoral, como Pároco sou confrontado diariamente com casais a viverem em união de facto. Olhando para as estatísticas que vão surgindo e que nos vão mostrando o aumento dos divórcios e as uniões de casais sem intenção de vínculo legal, propus-me apresentar aos leitores de “o Timoneiro” a minha reflexão sobre o capítulo VIII da Exortação Apostólica do Papa Francisco que se refere às “situações chamadas irregulares” face à Igreja. Como resultado, surgiram-me alguns pensamentos dispersos que passo a apresentar.
Refere o Papa que […]”apesar dos numerosos sinais de crise no matrimónio, o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto representa um júbilo e incentiva a Igreja”. A atitude da Igreja e seus pastores no tocante a esta temática deve ser “acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”.
Em relação ao “acompanhar”, diz-nos o Papa […] “Embora a Igreja reconheça que toda a rutura do vínculo matrimonial é contra a vontade de Deus, está consciente também da fragilidade de muitos dos seus filhos”. E afirma ainda que […] “A Igreja dirige-se com amor àqueles que participam na sua vida de modo incompleto, reconhecendo que a graça de Deus também atua nas suas vidas, dando-lhes a coragem de fazer o bem, cuidar com amor um do outro e estar ao serviço da comunidade onde vivem e trabalham” e que […] “A Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança, como a luz do farol de um porto ou de uma tocha acesa no meio do povo para iluminar aqueles que perderam a rota ou estão no meio da tempestade.
Não esqueçamos que, muitas vezes, o trabalho da Igreja é semelhante ao de um hospital de campanha”. Que bela imagem esta para fazer a abordagem da atitude dos pastores em relação à fragilidade de tantos casais. O hospital de campanha (Igreja) depara-se com toda a espécie de pessoas feridas e a todas tem de tentar curar com amor feito palavra, conselho, conforto, ternura… No dizer do Papa Francisco trata-se de […]”Acolher e acompanhar com paciência e delicadeza”.
Quanto ao “discernir”, continua o Santo Padre: “O caminho da Igreja é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração. […] O caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas as que a pedem com coração sincero”. Em relação a tantos batizados que se divorciaram e voltaram a casar, refere a Exortação que […] “Não só não se devem sentir excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os acolhe sempre”.
No tocante ao “integrar”, diz-nos o Papa que o pastor deverá situar-se […]” No contexto de um discernimento pastoral cheio de amor misericordioso, que sempre se inclina para compreender, perdoar, acompanhar, esperar e sobretudo integrar”, isto é, “fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais”.
Termina o Papa Francisco, lançando o convite: “Convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas, compreendendo-as e ajudando-as a reconhecer o seu lugar na Igreja”. Bem podemos recordar a imagem da galinha que acolhe os pintainhos sob as suas asas. Assim também a Igreja pretende ser mãe que a todos quer acolher e integrar.
Pe. César Fernandes
NOTA: Publicado no TIMONEIRO

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