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O respeito pelas pessoas não pode, de modo algum, confundir-se com a imposição das suas ideias como nova regra social ou norma moral. Afinal, subtilmente, fazem-se correr veios subterrâneos de ditaduras, de imperialismos ideológicos, esquecendo, então a unidade na diversidade.
Um encontro promovido em junho pela Conferência das Igrejas Europeias Cristãs defende e propõe a construção da unidade da Europa valorizando a diversidade contra toda a forma de intolerância, pelo acolhimento e diversidade, contra populismos e ideologias intolerantes. Para a Conferência das Igrejas Europeias trata-se de especificar uma ação ecuménica capaz de envolver as múltiplas tradições na sanação das novas feridas e divisões originadas por aquelas ideologias.
São dados civilizacionais adquiridos: a dignidade das pessoas, a ser respeitada por todos; os direitos das minorias, a serem integradas na pluralidades das diferenças; o património cultural das nações, fator de enriquecimento da Comunidade Europeia; as especificidades dos povos, as suas orgânicas sociais, os seus valores morais...
Mas, na prática, vivemos consecutivamente atropelos a estes ideais de pluralidade e inclusão. "A União Europeia não é nenhum império à semelhança da URSS". Não basta dizê-lo! Urge que a unidade que queremos construir seja pelo diálogo, pela compreensão das razões que movem as decisões nacionais, pelo respeito pelos valores morais e espirituais de pessoas e grupos, pelo respeito pelas famílias, pelos movimentos religiosos. E tal não está a acontecer.
Independentemente das razões para censurar um governo - se é que se têm - entre parceiros dialogam-se a profundam-se os
motivos, dão-se contributos para corrigir as decisões erradas. Não se amesquinham, não se ridicularizam. E o respeito pelas pessoas não pode, de modo algum, confundir-se com a imposição das suas ideias como nova regra social ou norma moral. Afinal, subtilmente, fazem-se correr veios subterrâneos de ditaduras, de imperialismos ideológicos, esquecendo, então a unidade na diversidade.
Não podemos acreditar que um projeto Matic possa impor como "direito humano" o aborto, em condições de aberta generalização, sem barreiras de aconselhamento; que se proponha a veiculação da ideologia de género a crianças do i.° ciclo sem a necessária autorização prévia dos Pais; que se restrinja a possibilidade de objeção de consciência a profissionais de saúde. É uma recomendação, bem sabemos. Mas da sua aplicação nos países virão a ser pedidas contas, mais tarde ou mais cedo, aos governos que o não fizerem.
"A experiência do caminho ecuménico pode ser um elemento fundamental na contribuição para a construção de uma Europa na qual - não só em oposição ao populismo em todas as suas formas, ao mesmo tempo que se demonstram os seus limites na leitora do presente e do futuro - os cristãos podem promover uma cultura do acolhimento, de maneira a abrir um novo tempo de partilha à luz da Palavra de Deus" - declararam os participantes da citada Conferência.
Querubim Silva
Nota: Editorial do "Correio do Vouga"

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