O Bispo auxiliar de Lille, Antoine Hérouard, presidente para os assuntos sociais da Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), referindo-se à cimeira organizada sob a presidência portuguesa no dia 7 de maio no Porto, afirmou que esta é uma oportunidade para os líderes políticos renovarem o seu empenho na implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Esta é “a hora de transformar compromissos em ações concretas para o bem comum”.
Segundo a COMECE, na luta contra a exclusão social e a pobreza, “as pessoas vulneráveis devem ser as primeiras”, com destaque para as “crianças em situação de pobreza, os desempregados de longa duração, os idosos, os sem-abrigo e as pessoas com deficiência”.
O contributo da COMECE para a cimeira social do Porto dá recomendações em 5 grandes pontos: dignidade humana, trabalho, solidariedade, família e educação/ ecologia. Os Episcopados Católicos da UE destacam a necessidade de reforçar a cooperação com cada Estado-Membro na “erradicação da discriminação de todas as formas e na melhoria da redução da pobreza”, promovendo a “acessibilidade e disponibilidade aos serviços básicos de saúde. As políticas familiares devem também promover o acesso a cuidados de saúde de qualidade e a preços acessíveis para as famílias e, em particular, para os seus membros mais vulneráveis (crianças, jovens e idosos”). A COMECE apela ainda a um maior equilíbrio “trabalho-família” e a um domingo sem trabalho.
Esta cimeira social do Porto é apresentada pelos nossos governantes como “o ponto alto da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia”. São ainda apresentadas metas até 2030, onde se destaca que pelo menos 78% da população entre os 20 e os 64 anos deverão estar empregados, apostar na formação e na redução de pelo menos 15 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social. A Europa procura, no espaço de 10 anos, através de um esforço comum, um desenvolvimento mais homogéneo e abrangente.
A cimeira não descurou a necessidade de “cuidar do mundo, do planeta, mas também das pessoas que nele habitam”. Aliás, o Papa Francisco através da “Laudato Si” e da “Fratelli tutti” teve uma dimensão profética nos seus ensinamentos e que os governantes presentes tiveram em linha de conta. Esperando que os compromissos passem a ações concretas, esta cimeira, apesar de tudo, foi um sinal de esperança.
Pe. César Fernandes
Prior da Gafanha da Nazaré
Nota: Editorial do jornal TIMONEIRO

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