quarta-feira, 14 de abril de 2021

A crise dos relacionamentos humanos é a mais grave de todas

Pe. César Fernandes
No encontro com o Corpo Diplomático acreditado na Santa Sé, o Papa Francisco falou aos embaixadores do “rasto de medo” gerado pela pandemia, dos dramas humanitários, dos conflitos no mundo, das crises na sociedade, e afirma que a crise dos relacionamentos humanos é a mais grave de todas.
Referindo-se ao ensino, afirma que “os longos meses de isolamento e muitas vezes de solidão, tornaram mais necessários os relacionamentos humanos, nomeadamente entre os estudantes. O ensino à distância implicou uma maior dependência das crianças e adolescentes virtuais de comunicação, tornando-os mais vulneráveis e expostos a atividades criminosas. O Papa Chama-lhe mesmo uma espécie de “catástrofe educativa”.
O Papa Francisco diz ainda que a pandemia colocou as pessoas numa espiral de separação e suspeita mútua, impelindo os Estados a erguerem barreiras entre si. O mundo interligado deu lugar a um mundo novamente fragmentado e dividido.
Reafirmou, mais uma vez, a necessidade de todos contribuírem ativamente para que seja assegurada uma distribuição equitativa das vacinas. Lembra que a crise pandémica mostra “a fisionomia de um mundo doente não só por causa do vírus, mas também no meio ambiente, nos processos económicos e políticos e, mais ainda, nos relacionamentos humanos”.
Falando da necessidade de garantir “o direito ao cuidado”, lamentou que “um número crescente de legislação no mundo esteja a afastar-se do dever de defender a vida humana em cada uma das suas fases”.
Francisco aborda também a “crise ambiental”, para afirmar que “não é apenas o ser humano que está doente, mas também a casa comum devido à crise ecológica causada por uma exploração indiscriminada dos recursos naturais e que adquire uma dimensão muito mais complexa e permanente”. Lembrou que “a crise económica resulta de outra doença que marca a atualidade, uma economia baseada na exploração e no descarte quer das pessoas quer dos recursos naturais”.
Desde cedo nos apercebemos que, atenuada a pandemia, “não irá ficar tudo bem”, não ficará tudo como antes. Aconselha-nos o Papa a “não deixarmos ninguém para trás”. Temos algum grau de certeza que, depois desta crise, não seremos iguais. Contudo, podemos ser muito melhores porque aprendemos com as lições do passado recente e soubemos manter aberta a janela da esperança. “O ano de 2021 é um tempo a não perder. A fraternidade é o verdadeiro remédio para a pandemia e para os inúmeros males que nos atingiram. Fraternidade e esperança são remédios de que o mundo precisa, hoje, tanto como as vacinas”, conclui o Papa.

César Fernandes
Pároco da Gafanha da Nazaré

Nota: Editorial do jornal TIMONEIRO

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