sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Vede como era seu amigo... Acompanhar as famílias no luto

Carta Pastoral do Bispo de Aveiro 
sobre o Covid-19

D. António Moiteiro
Este tempo árduo de pandemia Covid-19, com números crescentes de mortes e em que se luta pelo controlo de infeção, pode implicar que os membros da família e a própria comunidade não tenham a oportunidade de acompanhar os seus familiares/amigos nas últimas horas e dias de vida, ou mesmo de se despedirem dos que partem. Este afastamento, que a todos continua a tocar, tem sido muito doloroso, impessoal e traumático na vida das famílias. Alteraram-se os rituais com que nos despedimos dos mortos, e isto deixa ainda mais fragilizados os que já estão numa situação de debilidade. A necessidade de evitar o contacto físico e as interações de uns com os outros intensificam os sentimentos de tristeza e de solidão. Amigos e familiares que poderiam oferecer apoio, estando também isolados, ficam limitados para aquilo que podem proporcionar – o que se traduz em sofrimento e angústia para as famílias.
Face a esta dura realidade, há situações e emoções com as quais as famílias enlutadas têm de lidar. É verdade que a morte passou a fazer parte das redes sociais, nesta sociedade conectada; tornou-se mais simples partilhar a comunicação e as condolências, mas não se criou uma cultura online mais sensível diante da morte e do luto. O cristão deve agir com amor, sinceridade, equilíbrio e fé.
Perder alguém que se ama traz sempre muita dor e sofrimento a qualquer pessoa. Isso não é diferente para o cristão. A diferença é que o crente em Jesus Cristo tem a esperança que esse não é o fim de tudo... A morte do corpo é somente o começo da vida eterna.
Ajudar as famílias a viver o luto envolve um olhar amplo sobre a realidade que vivemos, mas também se inspira no Evangelho, como possibilidade de delinear ações que elevem o ser humano e a sua dignidade perante as perdas. O Evangelho revela-nos a atitude de Jesus Cristo diante da doença e da morte: aproxima-se, compadece-se, chora, toca, anima e dá vida. Basta recordar os seus gestos e as suas palavras quando se encontra com o filho único da viúva de Naim (Lc 7,11-17), com a filha de Jairo (Lc 8,49-56) e com o seu amigo Lázaro (Jo 11,1-44). Jesus livra estas pessoas da morte, mostrando que a sua palavra suscita vida.

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