quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Pandemia ... e pandemias - 1

Querubim Silva no Correio do Vouga


O serviço nacional de saúde é todo o sistema que pode prestar um serviço público de saúde, seja ele de iniciativa estatal, seja de iniciativa privada (particular ou cooperativa)

1- O vírus veio para ficar, para se multiplicar e transmutar, para atacar indiscriminadamente os diversos níveis etários e condições sociais, a saudáveis e a pacientes das mais distintas patologias. É uma pandemia que provoca e convoca todas as energias e recursos para uma batalha sem tréguas, sem vermos fim à vista para tal contenda. E com muitas vítimas, mesmo entre os mais fortes guerreiros.
Entretanto, há outras pandemias instaladas, não menos perigosas, porque afetam o espírito, a identidade de pessoas e grupos, gerando uma crise de consequências imprevisíveis. A começar por este malfadado hábito de rotular direitas e esquerdas. Com a agravante de multiplicar as direitas - social, liberal e radical; e as esquerdas - democráticas e extremistas. Esta doença de nos apresentarmos em trincheiras "políticas" inimigas, na perspetiva de esmagarmos, de exterminarmos os adversários, corrói a saúde de um país.
E similar é a pandemia de estabelecer uma dicotomia insanável entre público e privado. Primeiro porque é errada a ideia de chamar exclusivamente público ao que é apenas estatal. O espaço público é todo o espaço da cidade, onde convivem e se integram (deveriam integrar) o estatal e o privado. Esta pandemia é uma realidade palpável. Vejamos.
O serviço nacional de saúde é todo o sistema que pode prestar um serviço público de saúde, seja ele de iniciativa estatal, seja de iniciativa privada (particular ou cooperativa). Como o serviço de educação, como o serviço de apoio social. Tudo o que assim não seja é tentativa de monopólio do estado, típico dos regimes totalitários. E, nesse caso, a mentalidade é de antagonismo. E o privado será sempre um descartável, ao serviço do poder totalitário, que usa ou deita fora conforme convém. Na situação presente da luta contra o coronavírus, é clara esta epidemia: o privado é "reserva do estado", para tranquilização da população; é "inimigo" a requisitar já, para o radicalismo ideológico.

Nota: Do Editorial do Correio do Vouga, ponto 1

Sem comentários:

Enviar um comentário