Iniciativa a repetir na Páscoa?
Um aspeto dos bens ofertados
Na impossibilidade de se realizar o tradicional Cortejo dos Reis na paróquia da Gafanha da Nazaré, por força da pandemia, o Conselho Económico e Pastoral (CEP) decidiu avançar com uma homenagem aos nossos antepassados, levando a cabo uma iniciativa que antecedeu a festa dos reis como a conhecemos, nomeadamente, com autos durante o percurso e reis a cavalo, não faltando os melodiosos cânticos natalícios, sem autores identificados, a cerimónia do Beijar o Menino e o leilão das ofertas.
Tal como nos primórdios da comunidade paroquial, em que os nossos avós levavam os seus presentes à capela e depois igreja matriz, na Chave, para serem vendidos ou leiloados, uma forma muito natural de angariar fundos para as diversas despesas da paróquia, este ano procedeu-se como antigamente. E resultou.
Os católicos souberam compreender a situação e aos apelos do CEP e do nosso prior, Pe. César Fernandes, muitos entregaram presentes variados que foram expostos no Auditório Mãe do Redentor. Curiosamente, apesar de se recomendar que não ofertassem bens perecíveis, os paroquianos entregaram de tudo um pouco, ultrapassando as expetativas. E como havia sido anunciado, no final das missas dominicais, ordenadamente, as pessoas compraram os bens oferecidos, tendo alguém sublinhado que “se mais houvesse mais se venderia”.
Tem sido dito e escrito que a Igreja, com a pandemia, tem de ser criativa, como aliás, aconteceu através dos séculos, porque, se o não fizer, corre o risco de ter de fechar portas, o que seria um desastre para a divulgação e vivência dos ideais anunciados e propostos por Jesus Cristo, conducentes a uma sociedade mais humana, porque mais solidária e mais fraterna.
Porque a experiência foi um sucesso, o CEP, presidido pelo nosso prior, sente ser sua obrigação agradecer publicamente o empenho dos paroquianos, quer na oferta quer na aquisição dos produtos expostos, o que se traduziu numa significativa ajuda para as múltiplas despesas da comunidade paroquial.
Importa realçar que as nossas igrejas (Matriz, Chave e Cale da Vila) têm salários a pagar, limpezas constantes, faturas de água, luz, gás e comunicações a liquidar, obras de manutenção frequentes, aquisições diversas para os cultos, ficando claro para todos que não há outras fontes para além das dádivas do povo.
Entretanto, se a pandemia continuar, é justo admitir que na Páscoa, eventualmente sem a Visita Pascal, outra fonte de receitas, a iniciativa alusiva ao Cortejo dos Reis poderá avançar com espírito idêntico, se não estivermos confinados. De qualquer modo, aceitam-se sugestões, que podem ser apresentadas ao nosso pároco, Pe. César Fernandes, ou ao CEP.
Fernando Martins

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