Da reflexão da CEP publicada hoje
A solidão
10. A solidão mata, ouve-se dizer. Mas morrer na solidão deve ser tremendo. E quantos, nos hospitais, nos lares e nas famílias viviam e morriam já na solidão?
A questão dos idosos e a ideia de que são descartáveis é um escândalo que se revelou em toda a sua brutalidade. Devemos isolar de nós o vírus e não o idoso, tornando-o desumanamente solitário. Sentir-se solitário é o equivalente social a sentir dor física. Lembra o Papa Francisco: «Isolar os idosos e abandoná-los à responsabilidade de outros, sem um acompanhamento familiar adequado e amoroso, mutila e empobrece a própria família. Além disso, acaba por privar os jovens daquele contacto que lhes é necessário com as suas raízes e com uma sabedoria que a juventude, sozinha, não pode alcançar» (FT 19).
Mostrámos não ter capacidade de resposta para a solidão. Dói pensar nos idosos que não pudemos visitar, nos filhos que viram os seus pais e mães partirem na solidão, bem como a impossibilidade prática, tantas vezes presente, de lhes fazer chegar o conforto e a esperança espiritual.
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