Editorial do Jornal TIMONEIRO
Sendo Presidente de Direção do Centro Social Paroquial da Gafanha da Nazaré, tenho vivido e continuo a viver este tempo de pandemia numa verdadeira angústia existencial. O Centro Social Paroquial (CSP) nas suas valências de Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), Centro de Dia (CD) e Serviço de Apoio Domiciliário (SAD), tem-se debatido, por um lado, com a preocupação e esforço despendidos por toda a Direção e funcionários no sentido de preservar a instituição dos riscos inerentes a este Covid-19 e, por outro lado, debatendo-nos com o esgotamento do equipamento físico que alberga estas valências, que, mesmo não reunindo condições satisfatórias, todos fizemos heróicos esforços para preservar os nossos utentes desta terrível infeção. Graças a Deus e com o esforço de todos, conseguimos manter os nossos utentes, salvaguardadas todas as restrições da DGS, em área de segurança para os próprios e de confiança para os seus familiares.
Apercebemo-nos de como esta pandemia veio colocar a descoberto lacunas da sociedade em relação à área social para as quais temos de ter um olhar crítico. Os lares não são unidades de saúde e não têm como missão nem possuem condições, quer em termos de infraestruturas, quer em termos de recursos técnicos e humanos para darem acompanhamento na situação de doença aguda. Alguns equipamentos sociais, como o lar do CSP da Gafanha da Nazaré, com trinta anos de existência, carecem de condições físicas mais adequadas para o seu desempenho em relação às expectativas dos seus utentes e familiares. Não queremos abandonar os nossos utentes nem abandonar as famílias que nos confiaram os seus entes queridos. Os profissionais deram provas de grande competência e espírito de missão, dando o melhor de si no apoio às pessoas frágeis, com profissionalismo, nos cuidados vários e no suporte afetivo. Não podem, porém, prestar cuidados de saúde em doença aguda como esta do Covid-19. Não é sua competência nem é sua missão. Não são médicos nem enfermeiros.
Traçado este quadro, e porque somos instituições da área social, muitas delas ligadas à Igreja, queremos dar cumprimento às palavras do Papa Francisco no sentido de fazermos dos lares “casas e não prisões”, verdadeiros pulmões e santuários de humanidade onde os débeis e os idosos são cuidados como irmãos mais velhos porque, “um povo que não protege os seus avós e não os trata bem é um povo que não tem futuro e não tem futuro porque perde a memória e separa-se das suas raízes”.
Neste sentido, a Paróquia da Gafanha da Nazaré, porque tem um equipamento físico esgotado, está a equacionar a hipótese de se candidatar ao Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais – 3.ª Geração, designada por PARES 3.0. Para tal, estamos a preparar o processo para esta candidatura. Poderemos ser ou não contemplados. Acreditando que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social irá olhar com novos olhos para as carências sociais das comunidades, confio e acredito num próximo futuro mais risonho para os nossos idosos.
Pe. César Fernandes


Sem comentários:
Enviar um comentário