quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Tempo Novo carece de renovação

Carta Pastoral do Bispo de Aveiro 

“Tempo Novo carece de renovação” é o título de uma carta pastoral do Bispo de Aveiro, D. António Moiteiro, que pode ser lida na página da Diocese online ou no jornal diocesano Correio do Vouga. Como o título indicia, a proposta de reflexão do nosso bispo debruça-se sobre a pertinente questão da pandemia que “atingiu o mundo de forma intensa”, deixando-nos “fragilizados naquilo que é mais precioso: a vida humana”. Contudo, lembrou que a fé “não esmoreceu os cristãos” porque “o pânico e o medo não vêm de Deus”. 

Excertos da Mensagem do nosso Bispo:

Uma crise é ou deve ser sempre uma oportunidade para ir ao essencial da vida. E é possível responder a uma crise com seriedade e força de vontade, mantendo um senso interior de calma e de esperança. Entre os muitos sinais exteriores e interiores, não é esquecido o dia 25 de março de 2020, dia em que após a recitação do terço em Fátima, se procedeu à renovação da consagração de Portugal ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, cerimónia na qual pudemos estar presentes espiritualmente!

A Igreja reúne-se em cada domingo para celebrar a memória da morte e ressurreição do Senhor, a Eucaristia. É encontrando-se com os irmãos, celebrando, cantando, rezando, ouvindo a Palavra de Deus e alimentando-se da Eucaristia que se mantém o coração aquecido, no amor do Senhor, e que se renova a disposição de ser dom na vida da sociedade. Como discípulos de Cristo ressuscitado, temos que nos consciencializar profundamente do anúncio e testemunho do amor de Deus. Cristo venceu a morte!

Neste momento histórico, não podemos pensar no “fez-se sempre assim”. Há um dinamismo pastoral que importa continuar, de modo pró-ativo e criativo. Somos convidados a redescobrir e aprofundar o valor da comunhão que une todos os membros da Igreja, a qual desde as suas origens, apesar das falhas de muitos dos seus membros, nunca deixou de trabalhar por aliviar, defender e libertar o próximo nas suas várias necessidades.

Urge, sem pretensiosismos, prestar assistência aos mais necessitados das nossas comunidades: idosos, viúvas, isolados, desempregados, trabalhadores precários, vendedores cuja atividade foi seriamente prejudicada, aqueles cujos recursos não são suficientes para a sua subsistência… Os momentos de sofrimento e de luto são os que mais abalam a esperança e que, portanto, mais acompanhamento e proximidade exigem. A Igreja continuará a ser interpelada no seu cuidado pelos últimos e frágeis da nossa sociedade.

Não podemos efetivamente voltar aonde estávamos. “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). Uma das grandes forças da Igreja ao longo dos séculos tem sido justamente esta capacidade de renovação e exercício da misericórdia. Continuemos prudentes, vigilantes e atuantes. Que em cada um de nós habite sempre a jubilosa certeza de que o Senhor caminha connosco! E que a Família de Nazaré nos acompanhe nesta caminhada.

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