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| Papa Francisco |
Tudo isto se reveste duma valência particular no nosso tempo, porque estamos a viver, não simplesmente uma época de mudanças, mas uma mudança de época. Encontramo-nos, portanto, num daqueles momentos em que as mudanças já não são lineares, mas epocais; constituem opções que transformam rapidamente o modo de viver, de se relacionar, de comunicar e elaborar o pensamento, de comunicar entre as gerações humanas e de compreender e viver a fé e a ciência.
Muitas vezes acontece viver a mudança limitando-se a envergar um vestido novo e, depois, permanecer como se era antes. Lembro-me da expressão enigmática que se lê num famoso romance italiano: «Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude» (“O leopardo”, de Giuseppe Tomasi de Lampedusa).
A atitude sadia é, antes, deixar-se questionar pelos desafios do tempo presente, individuando-os com as virtudes do discernimento, da parresia e da hypomoné. Então a mudança assumiria um aspeto completamente diferente: de elemento complementar, de contexto ou de pretexto, de paisagem exterior, tornar-se-ia cada vez mais humana e também mais cristã. Continuaria a ser uma mudança externa, mas realizada a partir do próprio centro do homem, isto é, uma conversão antropológica.
Do discurso do Papa à Cúria Romana,
na apresentação de votos natalícios,
no dia 21 de dezembro de 2019
Publicado no TIMONEIRO de janeiro

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