![]() |
| Pe. César |
«Natal é a vitória da humildade sobre a arrogância, da simplicidade sobre a abundância, do silêncio sobre o tumulto e o ruído»
Dentro de poucos dias será Natal. Surgem as árvores, as decorações e as luzes a lembrar-nos que este ano, mais uma vez, haverá festa. A máquina publicitária convida a trocar presentes sempre novos para fazer surpresas. Eu pergunto-me se será esta festa e estes presentes que agradam a Deus.
Se olharmos para o primeiro Natal da História, ele ajuda-nos a descobrir os gestos e as surpresas de Deus. Começa com Maria, que era a esposa prometida de José: chega o anjo e muda-lhe a vida. Continua com José, chamado a ser pai de um filho sem o gerar, filho que chega no momento menos indicado, isto é, quando eram só esposos prometidos e, segundo a lei, não podiam morar juntos.
Diante deste escândalo, o bom senso convida José a repudiar Maria e a salvar o seu bom nome, mas ele surpreende-nos: para não prejudicar Maria, pensa despedir-se dela em segredo, a custo de perder a própria reputação. Vem outra surpresa: Deus num sonho muda os seus planos e pede-lhe para receber Maria. Depois do nascimento de Jesus, quando fazia projetos para a família, é-lhe dito para fugir para o Egipto. Em resumo, o Natal leva a mudanças de vida inesperadas. E se queremos viver o Natal, a exemplo desta família de Nazaré, devemos abrir o coração
Para estar dispostos às surpresas, isto é, a mudanças inesperadas de planos para a vida. Mas a grande surpresa é o Menino que chega e que é acolhido, não pelas autoridades, mas pelos simples pastores que, recebida a notícia, correm sem demora para celebrar um Deus inédito.
Então, celebrar o Natal é acolher na terra a surpresa do céu. O Natal inaugura uma época nova, onde a vida não se programa, mas se doa; onde não se vive para si, mas para Deus, este Deus connosco. Viver o Natal é deixar-se sacudir pela surpreendente novidade de Deus. O Natal de Jesus não nos oferece o calor reconfortante da lareira, mas o arrepio divino que sacode a história. Natal é a vitória da humildade sobre a arrogância, da simplicidade sobre a abundância, do silêncio sobre o tumulto e o ruído. Celebrar o Natal é ir em direção a quem precisa, sendo confiantes e dóceis como Maria. É fazer como José: realizar aquilo que Deus quer mesmo que não esteja segundo os nossos planos. É preferir a voz silenciosa de Deus aos rumores do consumismo.
Se soubermos estar em silêncio diante do presépio, o Natal será para nós uma surpresa. Se preferimos às novidades do céu as coisas da terra, erramos na festa. Se fazemos do Natal somente uma bela festa tradicional cheia de luzes e iguarias, onde o centro somos nós e não o Menino que acaba de nascer, será uma ocasião perdida e estamos a mundanizar o Natal.
Será Natal se, como José, dermos espaço ao silêncio; se, como Maria, dissermos a Deus “eis-me aqui”; se, como Jesus, formos próximos de quem está sozinho; se, como os pastores, sairmos dos nossos recintos para estar com Jesus. Será Natal se encontrarmos a luz na pobre gruta de Belém. Para nós, o Natal pode ser rico das surpresas de Jesus. Deixemo-nos surpreender por Ele neste Natal.
Pe. César Fernandes
Texto base: Catequese do Papa Francisco sobre o Natal
– 19.12.2018
Texto publicado no jornal TIMONEIRO de dezembro
Texto publicado no jornal TIMONEIRO de dezembro

Sem comentários:
Enviar um comentário