Os bispos portugueses publicaram no dia 2 de maio uma carta pastoral que pretende dar critérios para as escolhas eleitorais dos católicos nos próximos atos eleitorais: eleições europeias já no próximo domingo e eleições legislativas em outubro. A carta intitula-se "Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja" e tem como pontos principais a defesa dos direitos humanos: em primeiro lugar o direito à vida, da conceção à morta natural; o direito à vida na sua componente económica; a luta contra a corrupção; o apoio aos migrantes; a unidade da Europa; o cuidar da casa comum; a distribuição de rendimentos para uma sociedade mais coesa; a conceção de um Estado que não seja centralizados nem mínimo, mas que garanta a liberdade de educação e da saúde, entre outros temas.
"Com esta reflexão orientada pelos grandes princípios da doutrina social da Igreja, queremos contribuir para um melhor discernimento sobre as realidades do nosso País e da Europa, numa altura em que somos chamados a participar através do voto em eleições europeias e nacionais, visando a construção de uma sociedade mais justa e fraterna", concluem os bispos no documento que pode ser lido na íntegra no sítio da Conferência Episcopal Portuguesa (www.con-ferenciaepiscopal.pt).
Na apresentação do documento à imprensa, no dia 2 de maio, no final da reunião plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima, D. Manuel Clemente, reportando-se às eleições europeias, recordou que o atual projeto comunitário permitiu "oito décadas de paz" e disse que o mesmo representa "um valor demasiado alto para pormos em causa".
Afirmou, na mesma linha, sentir alguma preocupação com o aumento dos movimentos nacionalistas na Europa. "Preocupados estamos sempre", disse o cardeal-patriarca, sublinhando que "os nacionalismos estão por aí, outra vez, por essa Europa fora, geralmente mal explicados, que fazem da história um pretexto para justificar opções presentes".
Os bispos portugueses apelaram então à participação nas próximas eleições europeias a partir dos valores da "dignidade humana, do bem comum, da solidariedade e da subsidiariedade", presente nos princípios da doutrina social da Igreja (DSI). "Só intervimos como mobilizadores de consciência, somos cidadãos", afirmou D. Manuel Clemente.
J.P.F. com Ag. Ecclesia
NOTA: Transcrito do "Correio do Vouga"

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