quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Papa Francisco - “Falta ao Ocidente um pouco de poesia”


Há uma coisa – um ditado – que muito me elucidou: «Lux ex Oriente, ex Occidente luxus” – “A luz vem do Oriente, o luxo, o consumismo vem do Ocidente». Encontramos esta sabedoria oriental, que não é fruto apenas de conhecimentos, mas é sabedoria dos tempos, sabedoria da contemplação. À sociedade ocidental – demasiado apressada, sempre –, ajuda muito aprender um pouco de contemplação, ajuda parar, olhar as coisas também poeticamente. Sabes uma coisa? Pensando nisto – mas é uma opinião pessoal –, creio que falta ao Ocidente um pouco de poesia. 
Há coisas poéticas muito belas, mas o Oriente vai mais longe. O Oriente é capaz de olhar as coisas com olhos que vão mais além. Não gostaria de usar a palavra «transcendente», porque algumas religiões orientais não aludem à transcendência: uma visão que ultrapassa o limite da imanência, certamente sim; mas sem dizer «transcendência», o além. Por isso, falo de «poesia», do que é gratuidade, de buscar a própria perfeição no jejum, nas penitências e também na leitura da sabedoria dos sábios orientais. 
Creio que, a nós ocidentais, fará bem parar um pouco e dedicar tempo à sabedoria. A cultura das pressas [precisa] da cultura do «parar um pouco». Parar. Não sei se isto basta para esclarecer a diferença, e aquilo de que precisamos no Ocidente. 

Na viagem ao Japão, no regresso a Roma, no dia 26 de novembro, respondendo aos jornalistas. 

Texto publicado no jornal TIMONEIRO

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Querubim Silva e João Gonçalves celebram 50 anos de ordenação presbiteral

Padres Querubim e João Gonçalves
Querubim Silva e João Gonçalves, presbíteros da nossa diocese, celebram 50 anos de ordenação no próximo dia 21 de dezembro. Presidiu à cerimónia de ordenação o então Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, de saudosa memória. Meio século de doação ao povo de Deus sem descurar os demais, os Pes. Querubim e João Gonçalves têm exercido funções de muita responsabilidade na Igreja e ao serviço dos irmãos, que acumularam enquanto párocos. 
O Pe. Querubim Silva é pároco de Angeja, diretor o Correio do Vouga e coordenador pastoral do Colégio de Calvão e o Pe. João Gonçalves dirige a pastoral social da Diocese de Aveiro, é ecónomo diocesano e coordenador da pastoral penitenciária em Portugal. 
No dia 21, à tarde, o Pe. Querubim preside à Eucaristia dos 50 anos na igreja matriz de Angeja, às 17h, seguindo-se um convívio no polidesportivo local. No dia 22, domingo, o Pe. João Gonçalves concelebra a Eucaristia na sua terra natal, a Gafanha do Carmo, às 11h00, seguindo-se um almoço-convívio no salão paroquial. 
Ambos recusam prendas. O Pe. Querubim sugere que as eventuais ofertas em dinheiro revertam para as obras sociais de Angeja, enquanto o Pe. João propõe que as ofertas sejam em géneros alimentares, produtos de higiene e outros destinados aos presos e a pessoas carenciadas. 
A comunidade de Nossa Senhora da Nazaré felicita os dois sacerdotes, que muito estima, com votos das maiores bênçãos de Deus.

F. M. 

Fonte: Correio do Vouga desta semana

Bispo de Aveiro - Anuncio-vos uma grande alegria…

Mensagem de Natal 


Aproxima-se o Natal… por excelência a festa da família. O presépio convida-nos à contemplação. Quanta ternura irradia de Maria e José reclinados diante do Menino recém-nascido deitado numa manjedoura! Este é o mistério e a alegria que somos convidados a partilhar, celebrar e anunciar neste tempo de Natal.
Como afirma o Papa Francisco, «por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre».
A família de Jesus é chamada a viver, inesperadamente, o mistério da vida e o mistério do amor – como são todas as famílias. Diante de tão belo cenário, ficam diluídos os abandonos e sacrifícios da partida de Maria e José, que se viram obrigados a deixar a sua terra, a sua casa, os seus parentes, e pôr-se a caminho para se recensearem em terra distante. Uma viagem nada fácil para um casal jovem que esperava pelo nascimento de um filho… Por não haver lugar para eles na hospedaria, foi num ambiente de desconforto, ali num simples estábulo, que Maria deu à luz o Emanuel, o Deus connosco.
Esta imagem do presépio retrata e toca o coração das famílias. Deus, ao manifestar-se ao mundo integrado numa família, quis transformar cada família num presépio vivo. Na caminhada de José e de Maria escondem-se, hoje, os passos de muitas famílias. São muitas, infelizmente, as situações desconcertantes que se vivem nas famílias: hostilidade, abandonos, separações, carências… Se a família não estiver alicerçada no amor, será difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações.
Viver o verdadeiro Natal é acolher e partilhar da alegria que vem da austera e simples beleza da família de Nazaré. Cabe-nos a todos criar as condições humanas e de coração para que Jesus possa irromper na nossa vida, mas esta missão começa no seio da família. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado da manifestação do Filho de Deus entre nós. A família cristã tem de redescobrir a sua identidade e ser, na Igreja e no mundo, o rosto vivo do Deus que ama. Se embalássemos tudo baseado neste amor, talvez se encontrasse remédio para a fragilidade, a força para o levantar da queda, o estímulo para equilibrar o carácter, o desejo de sair da negligência, a riqueza para suprir as carências, a coragem para preservarmos e defendermos a vida desde o nascimento até à morte natural… encontraríamos famílias felizes e uma sociedade mais solidária.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove?

Presépio do Pedro, o nosso sacristão

Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida. Em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado. Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. 
Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua representação no Presépio ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais. 
De modo particular, desde a sua origem franciscana, o Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados. 

Excerto da Carta Apostólica “Admirabile signum” (“Sinal admirável”), 
sobre o presépio, publicada no dia 1 de dezembro

Nota: Editado no TIMONEIRO de dezembro

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

NATAL - Surpresa de Deus

Pe. César

«Natal é a vitória da humildade sobre a arrogância, da simplicidade sobre a abundância, do silêncio sobre o tumulto e o ruído»

Dentro de poucos dias será Natal. Surgem as árvores, as decorações e as luzes a lembrar-nos que este ano, mais uma vez, haverá festa. A máquina publicitária convida a trocar presentes sempre novos para fazer surpresas. Eu pergunto-me se será esta festa e estes presentes que agradam a Deus. 
Se olharmos para o primeiro Natal da História, ele ajuda-nos a descobrir os gestos e as surpresas de Deus. Começa com Maria, que era a esposa prometida de José: chega o anjo e muda-lhe a vida. Continua com José, chamado a ser pai de um filho sem o gerar, filho que chega no momento menos indicado, isto é, quando eram só esposos prometidos e, segundo a lei, não podiam morar juntos. 
Diante deste escândalo, o bom senso convida José a repudiar Maria e a salvar o seu bom nome, mas ele surpreende-nos: para não prejudicar Maria, pensa despedir-se dela em segredo, a custo de perder a própria reputação. Vem outra surpresa: Deus num sonho muda os seus planos e pede-lhe para receber Maria. Depois do nascimento de Jesus, quando fazia projetos para a família, é-lhe dito para fugir para o Egipto. Em resumo, o Natal leva a mudanças de vida inesperadas. E se queremos viver o Natal, a exemplo desta família de Nazaré, devemos abrir o coração 
Para estar dispostos às surpresas, isto é, a mudanças inesperadas de planos para a vida. Mas a grande surpresa é o Menino que chega e que é acolhido, não pelas autoridades, mas pelos simples pastores que, recebida a notícia, correm sem demora para celebrar um Deus inédito.

domingo, 15 de dezembro de 2019

No rosário das ave-marias, recobro sempre um novo alento



Pe. Manuel Armando 
OUVINDO O MEU SILÊNCIO

Ouço o silêncio da noite que, de mansinho,
Põe diante de mim a verdade do meu caminho.
Diz-me por onde andei e o que fiz,
Molesta-me se esqueci de ser feliz,
Arrastando sobre mim o meu irmão,
Se lhe fechei a minha mão
Ou dele me afastei.
Devo viver em favor dos outros, bem o sei,
Mas a minha humana e pesada fragilidade,
Aberta de par-em-par para a vacuidade,
Me diz que corro demais e deveras,
Na busca do vazio das quimeras.
Os longos dias, perdidos em desatino,
Impedem-me de esperar o Deus-Menino
E, pelo meu pecado - grande mal -,
Me esqueço de perceber o Natal.
Muito preciso de outro silêncio diferente,
Onde repouse serenamente
E recupere as energias da vontade
Para me afirmar na lealdade
Aos irmãos e, por eles, ao Senhor
Que me segreda, com Seu terno amor,
O quanto me zela e abraça
Com a Sua excelsa graça.
Oh, quão salutar e confortante
É pôr-me assim diante
Do silêncio deste momento!
Não há ruído nem correrias
E, no rosário das ave-marias,
Recobro sempre um novo alento.

Pe. Manuel Armando Marques (Dezembro 2019)

Notas:


1. Poema publicado no "Jornal da ADASA" (Antigos alunos do seminário de Aveiro);
2. O Pe. Manuel Armando foi coadjutor na nossa paróquia entre 13 de agosto de 1965 e 17 de setembro de 1966;
3. Presentemente, é pároco de Aguada de Baixo (Águeda) e de Avelãs de Caminho (Anadia);
4. Tem publicado livros de poesia.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Fraternidade e Paz


Uma catequista da nossa paróquia teve a gentileza de me enviar um texto ilustrado elaborado  por uma menina da Catequese Paroquial com base no que ouviu e sentiu neste Advento. A mensagem mostra que aprendeu o espírito do Advento, que é o sentido da quadra que antecede o Natal.

Já se ouvem cantos no céu


Este poema da nossa amiga Adelaide Calado foi publicado no jornal Timoneiro deste mês de dezembro. Temos muito gosto em o publicar, até porque desconhecíamos a sua veia poética. Os nosso parabéns à autora. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Informações Paroquiais de 15 a 22 de dezembro 2019

1 – Esta semana, haverá reconciliações de preparação para o Natal, quinta-feira, às 20:30, na Igreja Matriz.

2 – Ensaio para preparar os autos do Cortejo dos Reis, atores e figurantes, quinta-feira, às 21:00 Horas, no auditório Priores da Gafanha da Nazaré.

3 – A nossa Catequese irá organizar uma Festa de Natal, no dia 20 de Dezembro, sexta-feira, às 21:00 Horas, no Auditório Mãe do Redentor, na Igreja Matriz, destinada a todos os catequizandos, seus familiares e demais pessoas. Todos estamos convidados. Participemos com a nossa presença.

4 – No próximo Domingo, dia 22 de Dezembro, a nossa paróquia vai organizar a Bênção das Grávidas, na Eucaristia das 10:30. Assim, as grávidas que queiram participar nesta bênção deverão, tão rápido quanto possível, inscrever-se no Cartório Paroquial.

5 – Ao longo da última semana, os sacerdotes visitaram e confessaram os nossos doentes e idosos. Como nem todos estão referenciados, se alguma família desejar a visita do sacerdote para algum familiar doente, deve avisar no Cartório Paroquial.

6 – Com vista à participação nas comemorações da Nazaré, ainda estamos a receber inscrições no Cartório Paroquial para os últimos lugares do terceiro autocarro.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Talvez seja Natal e não Dezembro

Açores (rede global)
NATAL, E NÃO DEZEMBRO

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido…
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave…
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira