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| Pe. Manuel Armando |
OUVINDO O MEU SILÊNCIO
Ouço o silêncio da noite que, de mansinho,
Põe diante de mim a verdade do meu caminho.
Diz-me por onde andei e o que fiz,
Molesta-me se esqueci de ser feliz,
Arrastando sobre mim o meu irmão,
Se lhe fechei a minha mão
Ou dele me afastei.
Devo viver em favor dos outros, bem o sei,
Mas a minha humana e pesada fragilidade,
Aberta de par-em-par para a vacuidade,
Me diz que corro demais e deveras,
Na busca do vazio das quimeras.
Os longos dias, perdidos em desatino,
Impedem-me de esperar o Deus-Menino
E, pelo meu pecado - grande mal -,
Me esqueço de perceber o Natal.
Muito preciso de outro silêncio diferente,
Onde repouse serenamente
E recupere as energias da vontade
Para me afirmar na lealdade
Aos irmãos e, por eles, ao Senhor
Que me segreda, com Seu terno amor,
O quanto me zela e abraça
Com a Sua excelsa graça.
Oh, quão salutar e confortante
É pôr-me assim diante
Do silêncio deste momento!
Não há ruído nem correrias
E, no rosário das ave-marias,
Recobro sempre um novo alento.
Pe. Manuel Armando Marques (Dezembro 2019)
Notas:
1. Poema publicado no "Jornal da ADASA" (Antigos alunos do seminário de Aveiro);
2. O Pe. Manuel Armando foi coadjutor na nossa paróquia entre 13 de agosto de 1965 e 17 de setembro de 1966;
3. Presentemente, é pároco de Aguada de Baixo (Águeda) e de Avelãs de Caminho (Anadia);
4. Tem publicado livros de poesia.






