 |
| Luciano Neves no seu ateliê |
Durante a vida profissional, dedicou-se à pintura de casas e barcos. Agora, na reforma, Luciano Marques Neves dedica-se à pintura artística, fazendo da sua casa, na Rua João XXIII, um imenso ateliê, se pensarmos nos espaços onde exerce a sua arte, ou uma imensa galeria, dado que encontramos quadros por todas as divisões. “Pintar é o que eu mais gosto de fazer”, afirma.
Prestes a completar 84 anos (nasceu em dezembro de 1935), viúvo há 20, Luciano Neves começou a trabalhar com 12 anos, colaborando com o “mestre Catraio” na pintura de casas. Aos 19 anos, tirou a cédula e chegou a embarcar, mas rapidamente voltou às pinturas e aos arranjos, já não de casas, mas das embarcações do empresário Vilarinho. Em terra, tratava da pintura dos navios e botes, a par de coordenar cargas e descargas e diversos arranjos e arrumações. E ainda havia tempo para pintar a casa dos patrões.
Com a chegada da reforma, veio a pintura artística a tempo inteiro. Por vezes, durante a nossa conversa, Luciano Neves desvaloriza a sua arte – “a minha chungaria” –, mas dos seus quadros, de cores vivas, brota uma grande força, uma grande vivacidade, num estilo que os peritos chamam de “naïf”.
Luciano Neves pinta temas da sua própria iniciativa, como moliceiros, flores ou paisagens da região de Aveiro, sobre madeira, tela ou cerâmica, mas também gosta de imitar os grandes pintores. O seu preferido é o impressionista francês Renoir.
A par com a pintura, o mestre Luciano gosta das histórias dos grandes artistas. Tem sempre consigo alguns livros, de onde retira dados e histórias de Ticiano, Rubens ou Miguel Ângelo. Gosta especialmente da história de Giotto, o pequeno pastor que vivia na Toscânia, Itália, e se tornou o maior pintor do final da Idade Média. Foi chamado ao Papa e desenhou com um só golpe de mão um círculo perfeito, tão perfeito que parecia impossível ter sido feito sem instrumentos mecânicos.
Em termos de exposições, a arte de Luciano Neves esteve patente em coletivas de Aveiro e Ílhavo e integra diversas coleções particulares. Um dos seus quadros pode ser visto por toda a gente no Café Leão, no Mercado Municipal da Gafanha da Nazaré. Luciano Neves não é sportinguista, mas pintou o enorme leão que domina o interior do café.
Jorge Pires Ferreira
Publicado no jornal Timoneiro deste mês.