Cada vez me sinto mais entusiasmado com o silêncio. Numa ida à livraria, pesquisando pelos livros de religião, esoterismo ou desenvolvimento pessoal, facilmente se percebe que é um tema de moda. Retiros, yoga, meditação, propostas de orações, etc., etc. Para os cristãos, o silêncio não é a perceção de uma ausência, como se o vazio da mente fosse uma meta desejável, mas é antes a contemplação de uma Presença. O silêncio torna-nos conscientes de que há uma ‘vida interior’, que o coração se faz ouvir e que o devemos escutar porque aí radica a nossa originalidade como cristãos que percebem e pressentem a habitação de Deus em cada um. No silêncio não ‘sou-sozinho’, como se de um ente solitário se tratasse,mas sinto uma comunhão silenciosa com o Universo, com a Natureza, com Deus e com os Outros.
A Tradição cristã sempre valorizou o silêncio. Vemo-lo a partir da experiência de Jesus, mas também na procura da Igreja nascente. Sempre foram surgindo homens e mulheres buscadores do silêncio através da meditação e da contemplação. As comunidades monásticas, os eremitas, os padres e madres do deserto. A busca pelo silêncio ultrapassa a simples procura do silêncio dos lugares sossegados, mas é a exploração que fazemos de nós próprios… e de Deus em nós. Tolentino Mendonça diz que o silêncio é “uma disciplina do coração”, um lugar de luta, de procura e de espera. Por isso, a meditação pode ser vista como uma escola de vida, de participação rotineira e regular, uma escola onde aprendo a escuta e confiança.








